segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cacém: Comentário Assembleia Freguesia de 30 Outubro 2009

Realizou-se no dia 30 de Outubro a tomada de posse dos eleitos locais para a Assembleia de Freguesia do Cacém.
A cerimónia realizou-se no auditório António Silva, localizado no Shopping Cacém.
Com uma sala repleta de assistentes, procedeu-se ao chamamento por parte do Presidente cessante e à assinatura e posicionamento nas cadeiras colocados no palco do auditório para esse efeito.
Foi efectuado um discurso sentido por parte do Prof. Lívio de Morais, congratulando o candidato da Coligação Mais Sintra pela expressiva vitória, chamando à atenção para os problemas existentes e agradecendo a oportunidade que teve ao ter presidido durante oito anos a esta Assembleia.
Tomou a presidência da mesa o candidato da coligação Mais Sintra, José Faustino, que num tom de brincadeira pouco próprio para a cerimónia, apresentou muito rapidamente a lista escolhida para o executivo e procedeu à recolha dos votos pelos vogais eleitos, utilizando como urna um velho saco de papel de uma marca de roupa, alegando em tom de brincadeira para o Presidente de Câmara que a Junta não tinha dinheiro para mais.
Tendo sido eleita a Junta de Freguesia e tendo tomado posse os vogais que substituíram os que transitaram para a Junta, procedeu-se à eleição da mesa da Assembleia, de forma igualmente rápida, despreocupada e pouco apropriada.
Pediu a palavra a bancada do Partido Socialista, solicitando uma declaração de voto relativamente à eleição da mesa. Tendo esta sido concedida nos termos regimentais, acusou o Presidente de Junta recém-eleito de arrogância totalitária, ao ter imposto uma presidência de mesa totalmente constituída por membros da coligação vencedora, sem ter sequer dirigido uma palavra ao presidente cessante, inteirando-o dessa intenção. Acusou o Presidente de Junta de ter ignorado ou não ter percebido as indicações dadas no dia anterior pelo Presidente de Câmara, e reclamou a ética republicana, como algo que cada vez mais importante em Sintra. Como resposta o Presidente da Junta aplaudiu longa e ruidosamente a intervenção.
Tomaram depois a palavra os representantes dos partidos eleitos, começando pela Coligação Democrática Unitária. Na sua intervenção referiu o seu programa eleitoral e resolução dos problemas existentes no Cacém.
A intervenção do Partido Socialista foi marcada pela congratulação ao Presidente da Junta reeleito, fazendo os votos institucionais muito necessários numa freguesia em que tanto há por fazer, afirmando ter acabado o tempo das promessas fáceis e das obras apressadas. Chamou à atenção para a muito elevada taxa de abstenção e reiterou a defesa do seu programa eleitoral.
Na intervenção da Coligação Mais Sintra foi efectuado um elogio ao trabalho executado pela anterior Junta.
Após a intervenção dos partidos políticos, foi dada a palavra ao Presidente da Junta, José Faustino, que se dirigiu lentamente para a tribuna vestindo o casaco que até então não utilizara.
A sua longa intervenção, realizada como um espectáculo de “stand-up”, começou pelos agradecimentos à família, e foi depois marcada por duríssimas criticas ao Partido Socialista, que acusou de estar à procura de lugares, ao governo que disse exigir mas que tinha retirado 28 mil euros à Junta, à falta de ética e má educação que tinha vindo de Agualva, ao programa eleitoral do PS por referir o termo “mais”, aos ataques pessoais de que disse ter sido vítima. Finalmente efectuou rasgados agradecimentos ao Presidente da Câmara pela paciência para o aturar, pelo único jardim-de-infância inaugurado e por tudo o que disse ter feito no Cacém.
Houve lugar ainda a agradecimentos finais a um amigo que não queria referir e que o tinha ajudado em momentos difíceis da sua vida. Esse amigo ganhou nome e dirigiu-se ao palco para um abraço teatral e para afirmar a amizade que os unia e para reiterar a sua condição de socialista.
Tomou a palavra o Presidente da Câmara, que no seu tom teatral se dirigiu pessoalmente ao autor da declaração de voto, pelas críticas efectuadas à falta de ética republicana.
Elogiou José Faustino como um animal político, em contraste com políticos engravatados com cores vivas, numa nova alusão à bancada do Partido Socialista. Referiu os 30 milhões de passivo do Polis e prioridade á conclusão do túnel da Refer. Terminou com uma nova e aplaudida alusão melodramática familiar digna de um folhetim de cordel.
Foi uma tomada de posse tristemente memorável, marcada pelos ataques ferozes a quem estava pelo protocolo impossibilitado de reagir.

Carlos Miguel Casimiro

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